O machimbombo

Os autocarros do grupo Mecula são semelhantes aos que circulam em muitas zonas rurais de Portugal. No interior a principal diferença é o facto de haver 5 assentos por fila em lugar de 4. Assim sempre cabe mais gente. Mas também não faz mal porque os macuas são pequenos. Outro pormenor a não desprezar é a questão de não haver lotação: o espaço mede-se em metros cúbicos e não em metros quadrados. Tivemos sorte porque na nossa viagem não ia ninguém de pé.
Os machimbombos do Mecula saem todos de Pemba às 5 da manhã, ainda antes de o sol raiar, e dirigem-se a Nacala, Nampula, Mueda e Mocimboa da Praia. Nós apanhámos o que se destinava a Nacala e descemos no cruzamento do Monapo para apanhar um chapa.
O propósito inicial da viagem era não ter de desembolsar os 250 euros por trajecto que nos pediam em Pemba para chegar à Ilha de Moçambique. Acontece que a viagem de machimbombo acabou por ser o momento mais especial destas férias. Está certo que acordar antes das 4 da manhã pode parecer violento mas o espectáculo proporcionado pelo nascer do sol em África foi grandioso. Sentiamo-nos a atravessar um lugar de fim do mundo e percebemos que não havia muitos estrangeiros a fazê-lo: não só fomos tratados com imensa cortesia pelo motorista e pela cobradora como éramos olhados pelos restantes passageiros como aves raras; os habitantes das aldeias onde parávamos olhavam-nos com imensa curiosidade e fartavam-se de rir do nosso aspecto!
Acabámos por pagar 140.000 meticais cada um pelo percurso Pemba-Monapo e mais 35.000 pelo chapa de Monapo até à Ilha. (NOTA: 1 euro = 30.000 meticais).

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